Nunca dormi numa cama tão perto do mar. O quarto é quase uma extensão da praia, é como se a cama estivesse estendida na areia. A brisa marinha sopra portas da varanda adentro, trazendo a cadência das ondas, tão evidente, tão constante, que ainda não sei se embala ou estorva. O mar está dentro do quarto. O mar está dentro.
Esse pequeno trecho é parte de um texto que escrevi viajando por Santa Catarina. Republico-o porque, se juntar tudo o que escrevi na vida, é provável que não encontre nada de que goste mais. Amo esse pequeno parágrafo.
Quem escreve sabe que o escritor espera se esconder no meio de suas palavras, são elas seu escudo de proteção contra a nudez da própria alma. Ele finge falar do outro, dá a ele um nome, batiza-o personagem, apenas para deixar escapar um tanto de si a cada linha, cada pausa, cada ponto final. No jogo de claro-escuro da letra preta e do papel branco, o escritor se revela.
Por isso gosto tanto desse pedacinho de texto aí em cima. Aí estou eu, nas portas abertas de uma larga varanda, numa brisa que invade um quarto, na presença absoluta do mar, no divagar que se estica até pousar na linha do horizonte.
Para Natalie Goldman, minha mestra, ao escritor é permitido escrever sobre qualquer coisa. Sobre uma xícara com um resto de café velho esquecida em cima da mesa. Sobre uma torneira que pinga. Sobre um copo que se esvazia ou uma veia que se abre. Aliás, é para isso que o escritor serve, para viver duas vezes, quando captura os detalhes que passam a todos despercebidos e depois, quando os registra.
Mas NG diz que escrevemos de verdade quando falamos sobre nossa obsessão. É tão fácil escrever sobre mar. O mar está dentro.
Divaguei.
Não era nada disso que queria dizer.
Há alguns anos, tive uma idéia para uma história. Esteve guardada desde então. Durante esse tempo, às vezes tirava-a da caixinha, flertávamos um pouco e combinávamos, eu e a idéia, que iríamos nos encontrar no futuro. Quando estivéssemos prontas uma para a outra. Acredito que o futuro chegou. Amadurecemos, eu e a idéia.
Sempre prometi a mim mesma que, dia desses, iria escrever algo mais extenso que uma crônica ou um post para o blog. O maior texto que escrevi até hoje foi um conto – bem ruinzinho – de apenas 25 páginas.
Achei que devia contar a vocês, já que têm a paciência de me visitar, me ler e ainda a delicadeza de me deixar algumas palavras. Achei que devia contar que estou trabalhando num texto bem longo. Naquela idéia que estava guardada.
E é possível que este blog fique um pouco abandonado durante os próximos meses. Não completamente esquecido, já que não deixarei de participar das coletivas, que adoro, e de postar uma coisinha ou outra.
Mas tenham paciência comigo quando a poeira começar a juntar por aqui. Vocês já sabem porque.




47 Comments
Juro que não vou me importar de ver pouquíssimos textos por aqui se, o grande motivo, resultar num livro!! =D
Já disse que sonho com a noite de autógrafos, né?
Tem coisa boa te esperando no futuro, Ana, pode apostar!
Estou certa disso e posso até vislumbrar o lançamento!
Vai fundo amiga… te dou o maior apoio!
Grande beijo e sucesso!
Bom trabalho então pra ti e que ele te deixe feliz.Quando escrevemos ficamos bem,não?beijos,chica
Ai, ai, acho que devo ficar feliz porque em breve teremos um pimpolho para paparicar, né? Mas confesso que tá me dando uma pontinha de tristeza pelo seu sumiço… Eita conhecer o Nordeste de carro!!! urrruuuuu… Já estou super animada.. rs
Serão muito bem recebidos!! =)
Beijão bem grandão!
Aninha
Ah, esqueci… Como sei do teu amor pelo mar (iupe, ontem caminhada na praia Manaíra!!) vou deixar um link de uma música do Teatro mágico que tem como nome Ana e o mar (porque será que lembrei de você?) ela é o meu hino nos últimos dias… eis o link/;
http://www.4shared.com/file/31048630/66962f7c/O_Teatro_Mgico_-_08_-_Ana_E_O_Mar.html?s=1
Vale a pena!!
Beijo de novo
Parabéns pela coragem e determinação.
Aguardarei a história.
beijos
Ana,
Que sejam dias muita realização. Por isso, busque viver com intensidade a escrita de cada linha. A recompensa você era mais a frente.
Sempre estarei passando por aqui.
Abraços e sucesso!
KAF
Um parágrafo inspirador. Me vi neste quarto. Sinto saudades do mar, há tempos não vou à praia. Falta de tempo, talvez.
Mais uma vez vc descreveu como me sinto quando escrevo algo! Já tive ideia para escrever um livro. Mas aos poucos ficou esquecida dentro de uma gaveta. Ainda acho que vou resgatá-la, um dia.
Boa sorte com seus textos! :)
Beijos!
Fla, você sempre me incentivou, obrigada, amiga! E se você diz que tem coisa boa me esperando, eu acredito! =) Beijos!
Chica, sim, ficamos bem quando escrevemos… Se não escrevo fico sempre com a sensação de que estou em falta para comigo mesma. rs Beijos!
Aninha, ameeeeei a música!!! Ah, incrível saber que alguém fez uma música chamada Ana e o Mar… Lindo, lindo! Quero essa música pra mim! rsrsrsr Beijos!
Angela, coragem, sim, determinação também… por enquanto… porque até tremo de pensar quantas páginas em branco me esperam! Beijos!
KAF, obrigada pelo incentivo e pelo carinho! Espero que fique bom, não quero decepcionar ninguém… =) Beijos!
Nathalie, também sinto uma saudade imensa do mar! Um dia ainda vou viver à beira de uma praia bem bonita. Resgate sua idéia, vá namorando-a e um dia chega a hora certa dela ir parar no papel. Beijos!
Ana, que texto mais gostoso e fluído!! Em tempos de vaporização das palavras, esse seu desejo de escrever longamente, incita a minha curiosidade voyeur; teremos o prazer de lê-lo no bloguinho? Bom trabalho! Beijus,
Olá Ana Paula
O seu texto fez-me lembrar uma passagem de uma canção (já antiga!) de Simon e Garfunkel: “I have my words and my poetry to protect me”. Não se esconda atrás das palavras, use-as bem, e vá dando notícias do trabalho, aqui no blogue. Acho que há muita gente a torcer para correr bem.
Bjs
Que lindo texto,Ana.
Aproveita o seu dom e escreva, deixa fluir no papel branco sua alma poeta , de escritora nata.
Vou querer um livro autografado,hehehe
Voce escreve bonito pra caramba! ” o mar está dentro. O mar está dentro do quarto”, queremos todos os detalhes.
Boa semana,e abraços
Aninha,
Hoje em dia os blogs com conteúdo são poucos, por isso seus posts vão fazer falta, mas pelo menos sua ausência vai ser temporária.
Já estou curiosa pra ler seu “texto longo” (seria livro?).
Sucesso!
Bjos,
Paulinha
Admiro que consegue escrever textos longos. Eu sou tão objetiva, que até escrevendo tenho frases curtas em textos curtos… rs
Boa sorte!
Estaremos esperando pelo seu texto!
Xerus
=***
Oi, Luma! Você disse uma coisa que me fez pensar: em tempos de 140 caracteres, é engraçado querer escrever longamente, parece que estou, de certa forma, na contramão das coisas. A moda agora é mini-conto, né? rsrs Tenho um pé atrás com esse tipo de “literatura”. Acho engraçadinho, mas acho que reflete também a pressa de quem lê em passar rapidamente para a próxima “coisa”. De qualquer forma, acredito que textos longos não funcionam bem em blogs. Eu, pelo menos, não acho confortável ler na tela de um computador. Então, estou trabalhando num romance. É meu primeiro, estou indo com calma para ver no que dá! =)
Tereza, obrigada pelas palavras de incentivo! Gostei muito da frase I have my words to protect me. Não importa em que circunstâncias da vida eu esteja, escrever é sempre um alento, um refúgio, uma espécie de cura para todos os males. Vou dando notícia, sim, e quem sabe não publico um trechinho ou outro, vez em quando? =) Beijos!
Lis, sabe quando lêem um texto seu e dizem, ah, está muito bem escrito? rsrs Eu tenho uma aflição dessa expressão, fico a imaginar que diabos é isso, um texto bem escrito. Me vem à cabeça as redações escolares, onde éramos obrigados a escrever 3 parágrafos, introdução, desenvolvimento e conclusão! rsrsrs Mas adorei ouvir “você escreve bonito pra caramba”! Uau, isso sim é um elogio de me deixar encabulada. rsrsrsrs Obrigada por isso, querida! =) beijos!
Oi, Paulinha! Então, estou numa sinuca de bico. Sim, o texto longo é um romance. Nunca escrevi um, então estou indo com calma, experimentando, pra ver no que dá. Mas também não queria deixar o blog abandonado. Sabe, eu escrevo num diário, quase todo dia. Tem muita bobagem, claro, do tipo, “a pilha de roupas pra passar está enorme e eu não estou com a menor paciência de fazê-la diminuir”. Mas agora, com o livro sendo escrito, tenho feito muitas reflexões sobre o ato de criar, de onde surgem as idéias e até mesmo sobre o ato de escrever em si. Acho que vou publicar alguns trechos aqui no blog, que tal? beijos!!!
Na, eu não sei se consigo escrever textos longos. rsrs Mas eu estou tentando. O que pude perceber até agora é que o próprio texto vai me conduzindo. Tem sido uma experiência diferente e interessante! Beijos!
quando eu escrevo eu me coloco em cada linha, palvra e ponto. eu gostei muito do seu texto e do seu blog.
beijos
Emi
Eu realmente gostei do seu blog
o meu blog é esse aqui http://www.criandocenarios.blogspot.com
meu comentário é esse ai de cima, to comentando de novo pq meus dados estão ficando salvos no computador da faculdade =/
beijoos
Estou na maior torcida, você sabe. Um beijo grande, Fê.
Tenho muita coisa pra dizer, sim… Primeiro quero agradecer sua visita, já que foi ela quem me trouxe até aqui e segundo por essa leitura deliciosa que seu post me permitiu. Fui navegando, sentindo Campos em mim “em casa a navegar, a navegar” e fui me perdendo, me encontrando, me reconhecendo e lembrei que minha obsessão não é o mar, mas então já estava eu no quarto cheio de água salgada, com os pés molhados e a paisagem me ver ir de um lado para o outro, acompanhando os movimentos lentos e ariscos ao mesmo tempo. Não gosto do mar, não de estar diante dele, mas gosto de imaginá-lo ali, ao meu alcance. Loucura, eu sei…
Tudo bem, não me importo, a loucura é a melhor forma de ser natural, diferente e indiferente as comodidades humanas…
Ps. Não abandones o meu olhar, please. Tudo bem, sou recém chegada e tenho muito para ler e irei fazer, mas quando se alcança o outro, se torna responsável também, não? Assim sendo, precisarei de água para saciar a minha sede…
Grande abraço e grata por essa nova janela aberta…
Oi Emi! Obrigada pela visita! Visitei seu Criando Cenários e já está nos favoritos. Beijos!
Fê, obrigada! Você sabe exatamente como me sinto! Beijos!
Lunna, seja bem vinda! Adoro quando o comentário é melhor que o post! rs Sério, fico muito feliz quando alguém passa por aqui e realmente lê o texto e este o faz pensar e divagar… Estaremos sempre em contato, você tem uma mente parecida com a minha. Beijos!
Mergulhei nas suas palavras e fui buscando cada pedacinho de ti que existe dentro delas. Fui buscando cada lugar, cada verbete implícito ou explícito e deixei as emoções escorrem entre os meus dedos em forma de palavras. Mas por mais estranho que possa parecer, os versos que deveriam ser ditos/escritos ficaram em silêncio sentindo apenas as palavras atravessarem as minhas artérias direto ao coração.
Obrigada por compartilhar conosco!
Lindo e emocionante demais!
Abraços
Amiga, tem presentinho prá ti lá no meu blog.
Não te esqueço, viu??
bjs
Su, que delicadeza seu comentário. Que gostoso ler palavras tão bonitas a respeito das minhas próprias palavras, logo de manhã. É um incentivo a mais para que o dia seja produtivo e para que eu me sinta inspirada quando me sentar para escrever! Obrigada! Beijos!!!
Mari, que saudade de você! Vou passar lá no blog. Beijos, querida!
Ana, ai que notícia fantásticaaaa!!!
Eu quero estar na noite de autógrafos, quero te dar um abraço apertado e levantar uma plaquinha de “EU JÁ SABIA” queném o povo nos estádios de futebol.
E mais, sei que vai ser a primeira de muitas outras noites de autógrafos nas quais estarei presente, pq esse vai ser o primeiro de muitos!
Solta a mão, que eu e mais um monte de gente boa e crítica confia em vc, solta a mão e deixa vir flúido como sempre, que é so uma questão do teu tempo e lembre-se, ele é todo seu!
Sucesso amada!
<3
Ô menina Ana Paula,
que bela novidade, embora a mim pareça a coisa mais natural do mundo, a consequência inevitável de quem nasceu para ser lida e é assim que eu a vejo, desde que fui capturada pelo primeiro texto seu.
Se você tomou a decisão é porque seu coração sinalizou e a hora é agora, então,é deixar que os anjos soprem as palavras ao seu ouvido…Beijo grande e já começo a deixar um pedacinho da minha mesinha de cabeceira para ter , sempre à mão,as coisas que você vai me contar…
OI, sua sumida!!!
Indiquei teu blog para um meme lá no meu blog (http;//pensoinsisto.blogspot.com).
É um bate bola com algumas perguntinhas. Achei bem divertido.
bjs
Oi querida! Não consegui responder seu último e-mail e peço desculpas, mas estou com horário novo no trabalho e tentando arrumar umas coisas por aqui (vc sabe o que é, rs). Enfim, depois escrevo com calma. Espero que o livro esteja indo bem. Vai fundo, guerreira. Beijos, Fê.
Aninha querida,
Não vim reclamar do seu sumiço – até pq li bem o post anterior rs – só expressar minha saudade de vc e das suas palavras.
Te convido a participar do meu novo projeto, passa lá no meu blog pra conferir.
Bjos,
Paulinha
Ai Ana, basicamente dois meses sem uma palavrinha tua. Assim vamos morrer de carência! Faz um sinal de fumaça. Please!
Beijos
Fiquei impressionado com a leveza de cada palavra sua. É sempre difícil encontrar textos excelentes em meio a um mundo digital tão vazio.
Você escreve muito bem!
Parabéns!
Mesmo sabendo que estás fora do blog ,a pesquisar e trabalhar noutros afazeres, deixo registrado o meu carinho e o desejo que seu Natal seja de muito amor e o Ano Novo seja melhor e mais rico de bençaos pra todos que a cercam.
Com meus abraços
Ana Paula,
Não obstante a minha implicância com o uso comercial do “espírito natalino”, não tenho como escapar da influência que a data exerce sobre o meu emocional que ainda teima em crer que a humanidade não é caso perdido e que podemos construir um mundo mais justo, sem violências e sem preconceitos. Em suma: sou um ingênuo assumido.
Sendo assim, é inevitável que venha para deixar os meus votos sinceros de que você tenha um feliz natal e que o ano novo não seja apenas uma nova página no calendário, mais um marco de mudança que inaugure uma nova era de paz e felicidades para todos e que possamos realizar todos os nossos melhores sonhos e projetos.
Felicidades.
Beijos
Ai, Aninha… Tanto tempo sem vir aqui… Acredite, faz uns 2 meses que não abro o blog e isso tem feito uma falta imensa! Mas muitas mudanças maravilhosas aconteceram e ainda tem mais por vir! Aos poucos, vou retomar, prometo! =D beijos!
Woises, obrigada pelo carinho e pelo elogio! Como você pode ver, o espaço está abandonado… mas vou retomar quando for a hora! Beijos!!!
Lis, querida, também te desejo um lindo natal, muito amor e luz! Beijos!!!
Fred, você está certo, eu também não consigo escapar… Confesso, não amo essa época do ano, tão tumultuada e até mesmo um pouco histérica, em que o verdadeiro sentido do natal acaba perdido. Mas quando chega o dia, de alguma forma, algo me toca. Desejo a você, a todos nós, alegria, paz e luz! Beijos!!!