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As Bolas Azuis e as Paredes da Vida

“A toda ação corresponde uma reação igual e em sentido oposto.” Isaac Newton

Se jogo uma bola de borracha azul de encontro a uma parede, ela volta para mim que, destreza e reflexo permitindo, a apanho de volta. Azul e de borracha.

Se jogo a bola com bastante força, a parede a retorna com exatamente – ou quase – a mesma velocidade com que a joguei e vai provavelmente parar num canto da sala. Azul e de borracha. Se a lanço com suavidade, ele vem pousar em minhas mãos. Nem vermelha ou de espuma, nem amarela ou de madeira. Azul. De borracha.

Deixemos por um instante nossas bolas coloridas. Tenho uma confissão a fazer.

Há alguns meses atrás eu me sentia miserável. Sem motivos concretos. Nada à minha volta justificava tanta insatisfação, o que, ao invés de me consolar, só me aumentava o desespero e a sensação de impotência.

Acredito que a alma humana aguenta uma determinada dose de tragédia real ou imaginária e auto-infligida mas atingido esse ponto, o instinto de sobrevivência nos toma das mãos as rédeas da vida. Eu, que acredito em simplicidade, que creio que a maior parte dos nossos espinhos na carne somos nós mesmos que lá os colocamos, que prego que jamais devemos dar a um problema a dimensão que ele não tem, me vi mergulhada tão fundo num mar de negatividade e pessimismo que eu mesma já não me aguentava mais. Parecia um pano de pratos molhado, daqueles que ninguém sabe onde por, pingando miséria e mau humor pela casa. Mais que respostas, precisava buscar ajuda. Fui além. Escolhi algo mais definitivo: Mudança.

Na hora do perrengue cada um sabe para onde corre: o santo de devoção, a cartomante do bairro, a astróloga famosa, a Universal do Reino de – valha-me! – Deus ou a boa e velha auto-ajuda mesmo, contra a qual não guardo qualquer preconceito. Minha fé na ciência me levou a buscar respostas no que nunca falha e governa o Universo desde sua criação: as leis da física.

Comecei a prestar atenção nas bolas que jogava contra a parede da vida. Meus sentimentos envenenados e negativos eram somente o reflexo das lentes embaçadas através das quais eu enxergava meus dias. Jogava bolas cinza e esperava de volta bolas cor-de-rosa, como se fosse possível o Universo revogar suas leis para atender minhas vontades.

Se Newton diz que a toda ação corresponde uma reação igual e em sentido oposto, não duvido, boto fé e assino embaixo.

Deixei de esperar que algo fantástico acontecesse – ação – para que eu pudesse experimentar sentimentos positivos – reação. Num exercício de esforço, vontade e entrega, passei a me sentir feliz e grata – ação – e deixei que o Universo reagisse na mesma proporção do meu bem estar e me trouxesse então eventos verdadeiramente gratificantes.

Meses depois de me comprometer com essa nova maneira de perceber os fluxos, sei que é perfeitamente possível criar nossa realidade através da imaginação ao invés de simplesmente reagir passivamente ao que vem de fora.

Numa série de felizes sincronicidades, descubro na verdade que não sou eu quem pensa assim. A crença na construção da própria realidade através da imaginação, do amor e da gratidão, está no pensamento dos maiores. A cada livro que leio ou site que navego em busca de mais conhecimento, abro um sorriso quando Kierkegaard, Santo Agostinho, Platão, André Luiz ou Max Planck vêem me apontar o norte para uma vida mais rica e divertida, vivida sob um novo paradigma.

Comecei este post com Newton. E o fecho, então, com a mente mais brilhante do todos os tempos.

“A vida não dá e nem empresta, não se comove e nem se apieda. Tudo quanto ela faz é retribuir e transferir aquilo que nós lhe oferecemos.” Albert Einstein

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Feliz tudo Novo de novo

Dia desses, converso com minha querida amiga Menina Preta e concordamos que estamos, nós duas, nos desapegando cada vez mais de datas. Celebramos o que queremos quando a vontade convida e ambas sabemos que se o calendário teima em ditar sentimentos, nós nem sempre o obedecemos, preferindo seguir nossa própria razão, se é que temos alguma.

Preta me diz que, além de se desapegar de datas, vai deixando pra trás também sentimentos e até pessoas. Eu, que acredito que a viagem é mais prazerosa quando a bagagem é leve, só posso dar o meu aval. Mas Preta vai além e confessa que seu desapego brota não do generoso ato de deixar ir mas de algo que repousa numa linha tênue entre maturidade e desencanto.

Ora, o que é se desencantar da vida? Não vou ao dicionário buscar definição. Aqui nas Minas Gerais, desencantar é outra coisa. É a expressão que se usa quando alguém parece finalmente tomar jeito na vida – será que agora fulano desencanta? – ou quando uma moça há muito tempo solteira encontra por fim sua metade da laranja – que bom, fulana desencantou!

Desejo, portanto, no ano que se inicia, que todos nós desencantemos, mineiramente falando. Que encontremos um rumo na vida, aqueles de nós que continuam perdidos; que sigamos com brio, aqueles de nós que já possuem o leme nas mãos; que tenhamos coragem para pousar, com esperança, nosso olhar na linha do horizonte do futuro, com o mesmo inocente contentamento da moça que arrumou namorado novo.

Reitero minha convicção de que 31/12 é apenas uma data, mais um dia após o outro. Mudança, caso seja o que buscamos, não nos cai na cabeça como as mangas maduras de Belém do Pará. O mesmo vale para a felicidade. Legislemos em causa própria, em 2011 e sempre.

O que desejo então, para mim e para vocês, é um ano verdadeiramente Novo. Pois não pode ser novo um ano onde continuamos a arrastar por aí nossas crenças infantis de que tudo muda porque muda o calendário. Nossos sonhos mais caros, nós os carregamos dentro, e é somente lá que qualquer mudança principia forma e ganha contornos de realidade. Que possamos mergulhar, então.

Novo é tudo aquilo que ainda não experimentamos. O meu novo pode ser rotina pra você, o contrário também se aplica.

Eu quero experimentar  mais sanidade.

E se o pedido parece incomum em meio aos paz-saúde-prosperidade geralmente solicitados, lembremos o que disse Einstein, que loucura é fazer sempre a mesma coisa esperando resultados diferentes.

Que 2011 seja feliz. E mais do que isso: que seja novo!

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Das habilidades da Vida

Dia desses ouvi de um moço que conheço: se você não faz, a vida toma a decisão por você.

Apoio, concordo, assino embaixo. Eu mesma sempre digo qualquer coisa assim: se você não pára, a Vida pára você. Se você não se move, a Vida te tira do lugar.

A Vida nunca erra, foi o que respondi para o moço. E a veemência de sua resposta – não?! – me fez pensar; como, aliás, me faz pensar tudo que há, que me cerca e é possível observar. Na verdade eu o conheço pouco, o moço, não sei se passa por alguma crise e, se passando, de que natureza é.

Mas conheço Crise de perto. Bem de perto mesmo e com toda intimidade, sei dos sentimentos que ela desperta – da raiva descontrolada à impotência paralizante. Essa intimidade vai, aliás, muito além do que gostaria, já que, se a lista não é grande, a intensidade das experiências o foi.

Como posso então ter chegado à conclusão de que a Vida não erra? Observando, ora. Principalmente minha própria vida, pois dessa posso falar com propriedade.

Dois divórcios. O primeiro doeu mais, embora tenha sido eu a querer partir. No segundo, menos dor mas muito mais decepção. Ambos aconteceram há muitos anos, pertencem ao arquivo morto da minha história. Olhando de cá, que é o futuro daqueles tempos, vejo a mão habilidosa da Vida me conduzindo pelo caminho que me trouxe ao meu verdadeiro amor. Não tivesse eu passado por tudo e aprendido, principalmente sobre mim mesma, não estaria pronta para ele, não seria quem sou nem estaria aqui.

A perda do meu pai. O que se pode tirar de bom quando perdemos para a morte – pois, sim, também perdemos pessoas para a vida – de quem mais amamos no mundo? Nada. Quase quatro anos depois que meu pai se foi a vida não tem mais nem cinqüenta por cento da graça que tinha. Penso nele todos os dias, me lembro exatamente como era sua voz, seu jeito de rir e, quando volto à casa de minha mãe, quando é noite e vou me deitar, passar pelo quarto que era dele e não ouvir “boa noite, filha, dorme com Deus” é como uma pedra dentro do peito.

Se de alguma forma é possível se preparar para essa perda irreversível e permanente, percebendo a morte como um processo natural da Vida, nada nos prepara para o vazio dos anos longos que seguem a ausência. Cada ano que passa parece tempo demais. Mas se ela, a Vida, parece cruel, levando meu pai embora tão cedo, a ele a Vida deu a oportunidade da liberdade do espírito, do desprendimento da carne e, quero crer, da Vida mesmo, essa com V maiúsculo, em mundos melhores que este nosso.

O câncer. Só a palavra faz a maioria arrepiar. Passei por ele, ou ele por mim, como queiram, e não, não foi um ano agradável. Duas cirurgias, algumas sessões de quimio, muitas outras de radioterapia e dois anos depois, não me considero guerreira, heroína, melhor ou pior do que ninguém. Mas levo a vida menos a sério, levo a mim mesma menos a sério, não comprometo minha felicidade, sou mais paciente e menos intolerante. E aprendi a maior de todas as lições: a de que tudo, tudo, passa nessa vida.

A crise financeira. Imagino que a maioria dos leitores desse blog – se é que eles ainda existem – não saiba o que se passou no mercado financeiro, de onde tiro meu sustento,  em setembro de 2008. Apenas dois dias antes de uma queda histórica na Bolsa de Valores, comparada apenas à crise de 1929, eu investi todo o dinheiro que tinha em ações. Entrei quando era hora de sair. Em poucos dias, talvez mesmo horas, perdi mais de cinqüenta por cento de tudo que tinha. O ano que se seguiu foi o de tentar recuperar a duras penas meu patrimônio que escorreu pelo ralo. Recuperei. Teria doido muito menos se eu tivesse aplicado em renda fixa. Mas eu não teria aprendido. Fui estudar todas as estratégias possíveis, mergulhei fundo em tudo que se relacionava à investimentos de alto risco e garanti um conhecimento que, num mercado sem crise, eu teria levado dez anos para adquirir. Imagino que era a Vida, querendo que eu aprendesse mais rápido. :)

Posso lembrar de inúmeras ocasiões além dessas onde abraçar o desespero era muito mais fácil. Mas a serenidade e a confiança na Vida – ou Universo, Tao, Chi, a Força, os Maiores, your higher-self ou Deus mesmo, se você acredita nele – e em seus fluxos, em seus ciclos perfeitos, me fazem olhar sempre para o horizonte do futuro, que é apenas o tempo em movimento, e que trará sempre mais do que levou.

Olhando para trás é impossível não concluir que se a Vida te joga uma aparente bomba na cabeça, ela tem apenas um objetivo: o seu próprio bem. E se você não concorda com a Vida, apegue-se então ao Tempo, que é remédio para tudo, afinal o que ele melhor faz é passar. Como tudo nessa vida.

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Para Cynthia

Ao invés de uma resposta lá nos comentários, porque não um post inteiro só pra você? Afinal, culpa por aqui é o molho da casa, então melhor explicar direito – pra você e pra mim – que culpa toda é essa. Você não gostou de ver essa palavra associada ao blog. Te digo que também não gosto de vê-la por perto, me rondando e me fazendo acreditar que tudo o que dizem de mim é verdade. Yes, I’m a believer too. Acredito em tudo que me dizem. :)

Por que eu me sinto culpada quando não escrevo? Eu mesma não sei exatamente, e estou analisando isso enquanto escrevo pra você. Afinal, é só um blog, um espaço só meu, para ser usado livremente, quando e se houver vontade. Não deveria haver nenhuma cobrança da minha parte com relação a atualizá-lo regularmente, afinal, quem tem que manter blog em dia é jornalista, celebridade, gente que é paga pra isso.  Ou seja, eu estou me levando à sério demais. E isso não é nada bom. Acredite, eu sou capaz de dar muita risada de mim mesma, da minha preguiça, do meu relaxo, da minha falta de compromisso até com as coisas que me dão prazer. Afinal, se ninguém nunca me levou à sério, não sou eu que vou levar.

Viu como funciona? Sem querer me cobrei, me cobro e me cobro feio.

Quando eu era muito pequena, diziam que eu era uma criança irreverente. Eu cresci e irreverente virou irresponsável. De irresponsável, fui promovida a preguiçosa. O quanto disso é verdade eu não sei. Mas eu sei que não gostaria de ser nada disso.

Meu pai costumava dizer que carro de boi apertado é que canta. E é a mais pura verdade, quem tem tempo demais sobrando acaba não fazendo nada de útil com ele. Quando eu trabalhava de 8 da manhã às 7 da noite e tinha meia hora pra almoçar, eu sonhava que um dia ainda tiraria um ano sabático, um ano inteiro dedicado somente a escrever. Não tinha idéia de como faria isso ou quando seria, mas um dia, ah, um dia… Da mesma forma que me prometo que um dia vou falar francês fluentemente, vou tirar 3 meses pra estudar em Paris. Na verdade, hoje eu tenho a cara de pau de me prometer as maiores sandices, afinal sei bem como terminam essas histórias.

Então acho que acabei de entender – agora mesmo, escrevendo aqui pra você – de onde vem a tal culpa, que aliás, não é nenhuma culpa cristã, do tipo, que feio, olha você fazendo errado de novo. O nome da coisa é cobrança mesmo.

Eu acredito que todo mundo pode fazer um mínimo pra tornar o mundo um lugar um pouco melhor. Acredito também que uma boa parte do tempo e da energia que eu desperdiço olhando pro meu umbigo ou decidindo se aquela camisa fica boa com aquele jeans, podem ser usados para o mesmo propósito. Sem nem sair do lugar. Como?

Escrevendo.

Eu acredito de verdade que quando eu publico um texto que toca alguém, que traduz uma emoção que essa pessoa sentiu mas nunca soube explicar, que trás um alento ou proporciona uma pausa pra pensar, eu estou fazendo essa minha parte, esse meu mínimo. Foi mais de uma vez que alguém passou por aqui e me agradeceu por ter escrito sobre alguma experiência que tive e resolvi passar para a frente. Eu juro que fico um pouco assim sem entender nada e acho um privilégio poder de certa forma tocar, nem que seja uma só pessoa, com palavras. Na verdade, eu é que fico enormemente agradecida pela generosidade dessas pessoas, inclusive você, que param por aqui para ler um texto meu. Mas de qualquer forma, acontece.

E se acontece, eu deveria usar meu tempo para fazer mais isso mais vezes. E agora, chego à conclusão que não é culpa, alías, nem  é cobrança, o que eu sinto quando não estou escrevendo.

É tristeza mesmo. Pelo tempo desperdiçado, pelas experiências não divididas, pelas histórias não contadas.

É isso. :)

Um beijo bem grande,

Ana <3

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15 minutos de fama

Quem é essa pessoa sem palavra, que chega por aqui, fala de cômodos fechados, vassouras e faxina, cruza os dedos e jura que dessa vez vai e então some por duas semanas?

Promessas na maioria das vezes nós não as cumprimos  - ainda mais as que fazemos para nós mesmos – e idéias nós as temos para serem mudadas; porém o sumiço se justifica, apenas para variar, pois dessa vez – e apenas desta – não se tratou de indolência, relaxo ou procrastinação, as especialidades desta chef.

Vocês devem ter Twitter. Nunca consegui usar o dito: seguir e ser seguida por que nem conheço me parece o mesmo que estar numa sala apinhada de pessoas, todos a falar ao mesmo tempo e só essa imagem já me apavora. Tenho horror a muita gente reunida, seja por que motivo for. Até festa.

Descobri recentemente uma ferramenta, esta sim, muito mais interessante. Chama-se tumblr . Misture o Blogger ou o WordPress com o tal Twitter e voilá, você usa a coisa como um blog mas segue e é seguido por outros. Você acompanha o que é postado em tempo real e pode reblogar o que gostar.

A diferença é que, ao contrário do Twitter, os usuários do tumblr, sabe-se lá porque, não usam a ferramenta para contar ao mundo o que comeram no almoço ou qual a cor das meias que estão usando. No tumblr posta-se principalmente fotografia. E quando descobri essa que é atualmente minha rede social preferida, encontrei a forma perfeita de mostrar ao mundo um pouco do que ando fazendo com minhas câmeras e filmes.

Esta semana meu bloguinho – Cela aussi passera - andou pelo diretório dos blogs mais indicados e o resultado foi surreal e um pouco assustador: 1154 novos seguidores.

Não poderia deixar de aproveitar meus 15 minutos de fama. Afinal, de alguma forma a fotografia – outro de meus “talentos” que não servem para muita coisa – ao contrário da escrita, me acena com a possibilidade de ganhar um troco, senão agora pelo menos daqui a algum tempo.

Ganhei minha primeira câmera de meu pai, aos dez anos. Aos doze consegui que ele me comprasse uma Yashica Eletro 35, até hoje uma de minhas câmeras preferidas. Aos vinte, comprei minha primeira SLR, ou uma câmera “profissional” como gostam de dizer uns por aí. Fiz Comunicação, o que me deu a oportunidade de estudar a fotografia mais a fundo e afiar um pouco o olhar. Portanto, posso dizer que a primeira metade de minha vida foi passada com uma câmera ao lado.

Não me lembro quando foi que deixei de “fotografar” e passei a “tirar fotos”. Assim, como todo mundo faz. Aniversários, viagens, família, apenas. Vocês sabem, retratos. Nenhuma preocupação com luz, composição, apenas o registro do momento. Mas eu sei de quem é a culpa. É dessa coisa que inventaram, a tal câmera digital.

A tal câmera digital é responsável também por uma reflexão que venho fazendo há cerca de dois anos. Que envolve basicamente a questão do registro X a experiência. Assunto para um outro post, claro.

Afinal, se a semana que passou foi “de fotografar”, esta que já vai pelo meio pode muito bem ser  ”de escrever”.

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Cela aussi passera

Há alguns meses atrás, alguém muito próximo a mim passou por uma grave questão existencial e teve  que tomar uma dura decisão. Questão de vida ou morte mesmo, mais do que apenas “felicidade” num momento mais imediato. O problema, que envolvia o bem estar de várias outras pessoas, era de paz de espírito num sentido mais amplo e até mesmo de sanidade a longo prazo.

Tomada a decisão e assumidas as consequências, meu amigo tatuou no braço – em árabe, para homenagear a descendência de sua família – um antigo ditado sufi: ”Isso Também Passará”.

Quase faço uma tatuagem igual. Talvez não em árabe, mesmo sendo eu neta de libaneses, mas em português mesmo. Só não o fiz porque acho que tatuagem, ainda mais dessas que são verdadeiros ritos de passagem, não é coisa que se copie. Para quem nunca se aventurou a marcar a própria pele com tinta, se tatuar é uma experiência profunda e emocional, raramente apenas um adorno no corpo.

Quando resolvi usar o tumblr para publicar meu trabalho de fotografia, precisei de  um nome para o blog. Não tive dúvida. Traduzi a frase do meu amigo para minha língua preferida: Cela Aussi Passera, e voilá, batizei meu novo espaço virtual. Soou linda em francês e perfeita para um blog sobre fotografia, afinal, o que é o capturar uma imagem – principalmente para mim, que trabalho com filme – senão o registro físico de um momento no tempo, nos lembrando para sempre que se podemos registrá-lo, jamais poderemos detê-lo e uma fotografia apenas uma eterna lembrança de que ele, o tempo, passa inexorável? Apenas não segue inifnitamente em linha reta, como querem crer alguns, mas em ciclos, que começam, terminam e têm a duração exata que a Vida sabe que devem ter.

Cela aussi passera, afinal o que é que não passa nessa vida? Eu bem o sei, tenho aqui uma pequena lista de quantas vezes a vida quis me passar a perna e quem deu a volta nela fui eu. Não gosto da palavra superação, que considero piegas e nos faz parecer mais heróis do que nossa simples condição de meros humanos permite, mas posso dizer que, sim, já passei por cima de um bocado de coisas, algumas bem amassadas, como pão, pelo rabo do diabo. Não sem derramar minha cota de lamentações, claro, o “molho da casa” da boa canceriana que sou, mas passei assim mesmo e fui mais eu.

Hoje recebemos uma notícia, meu marido e eu, e não foi exatamente o que gostaríamos de ouvir. Não se trata de saúde, de crise de relacionamento ou problema de família, o que por si só já nos deixa serenos e confiantes de que não devemos dar a um problema as proporções que ele não tem. Até aqui demos conta, daqui para a frente continuaremos a dar.

E se o presente, em todos os sentidos, passou, que venha – quando os Fluxos acharem por bem –  mais uma vez outra estação, que com certeza trará muitas outras safras de nossa fruta preferida. Aguardemos, então, que também isso passe, pois o que é o futuro senão o tempo em movimento.

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1985

A rua se chama Alagoas, o bairro é a Savassi. O nome do shopping é Quinta Avenida e, na entrada, uma pequena multidão está parada, dividida em pequenos grupos, como acontece toda tarde de sexta-feira. Conversam todos ao mesmo tempo, com risadas sinceras ou ensaiadas, falam muito alto. Cigarros acesos nas mãos, mochilas nas costas, docksides nos pés. Ninguém ali tem mais que dezoito anos.

Observo a menina que cruza correndo a rua, leve como seus 16 anos ou seus 48 quilos, e se desvia de um Fiat 147 que dobra, de repente, a esquina. Chega segura ao outro lado da calçada, ajeita os cabelos compridos que formam um V em suas costas e sobe um pouco mais a cintura da calça, presa por um largo cinto verde-limão.

Ela olha em volta, estuda de longe o aglomerado de iguais que ali está, com certeza a procura de alguém. Tira da mochila bicolor os óculos espelhados, acende um cigarro e sobe a rua em direção ao shopping.

Tenho que ser rápida para acompanhar seus passos e sua pressa mal contida, preciso falar com ela. Nos embrenhamos, as duas, no mar de meninos e meninas. Ela se encosta num pequeno muro baixo, descansa a seu lado a mochila, olha o relógio e ensaia um ar de tédio. Sim, espera alguém.

A poucos passos dali está um menino a encará-la, insistente, quase suplicante. Cabelo mais comprido atrás, bem repicado na frente, óculos tão espelhados quanto os dela, ele imediatamente acende um cigarro assim que a vê. Lábios grossos e dentes proeminentes, ressaltados pelo aparelho, os amigos o chamam de Mônica. Mas para a menina ele é Chicão. Sim, Chicão, que já a livrou de encrencas, de garotos mal intencionados, que bateu e apanhou por causa dela e até mesmo lhe arrancou uns beijos quando foi deixá-la em casa, no carro do pai.

Ela finge que não o vê. Ainda não decidiu se gosta ou não dele. Talvez porque saiba que ele é louco por ela, um estalar de dedos e a incerteza vira namoro. Quem sabe?, ela devaneia, e conclui que ainda não. Não antes do show do Ultraje no Santa Tereza Cine Show. Ele pode esperar outra semana.

Mas eu não posso esperar. Há muito o que dizer e minha vontade é pegá-la pelo braço ali mesmo, e despejar palavras que podem transformá-la no que ela tanto quer ser e ainda não sabe. Só não consigo decidir por onde começar. Afinal, se eu a conheço tanto, ela nem sabe quem sou.

Como abordá-la? Reparo em sua inquietude enquanto ela olha de novo o relógio e pensa que poderia ter trocado a pulseira laranja pela amarela, e torna a desviar o olhar para evitar que Chicão se aproxime.

O tempo corre e preciso chegar até ela. Imagino nosso diálogo enquanto ela abre a carteira da Company e pega uma ficha de telefone. E se ele chegar enquanto vou até o orelhão?, cogita ela. A menina hesita, eu ganho tempo.

Ensaio minhas palavras, conversando comigo mesma como se falasse com ela.

Veja bem – eu começo – sei que você não me conhece mas me escute. O tempo passa. O tempo passa muito rápido, acredite em mim. Não, não é papo de velha. Escuta. Vai chegar um dia em que você vai ouvir o Legião e “somos tão jovens” não vai mais fazer sentido nenhum pra você. Você vai ter vontade de chorar quando ouvir essa música. É, eu sei, parece impossível e incrivelmente distante, mas acontece, te juro. Então, o que eu preciso que você entenda é que futuro é um só. Comece a se levar mais a sério, pense nas suas escolhas, os seus talentos são muitos. Mas você precisa escolher um deles e se focar! Pode até ser Direito, como papai sempre sugere, ou outra coisa qualquer, afinal profissão não precisa ser advogado, médico, engenheiro, existe um mundo de outras coisas que você pode escolher. Mas o que quer que for que você escolha, coloque naquilo o seu coração. Foco, entende? Não, não ria! Essa coisa de escrever ou seu gosto por fotografia, são talentos reais que você tem. Você pode ser uma grande escritora ou uma fotógrafa respeitada! Brincadeira? Não senhora! Persistência, vontade, só isso! E você pode escolher fazer História, sim, pode seguir uma carreira acadêmica, ser pesquisadora. O que é carreira acadêmica? Pergunte pra sua professora que ela te explica. Na verdade, o que eu estou tentando te dizer é que você pode escolher qualquer coisa, mas escolha uma só e vá até o fim, acreditando em você! Papo de velha, não senhora, papo de quem já viveu mais que você, só isso. E esse cigarro, apague enquanto ainda é possível apagar. É, isso mesmo, um dia a gente descobre que não consegue mais apagar, só um toque, tá? E veja se toma gosto por algum esporte. Parou com o ballet porque? É, esporte, ginástica, isso mesmo! Preguiça? Preguiça tenho eu de ficar aqui tentando explicar pra você que a vida não é nada disso que você pensa!

Discurso ensaiado, tomo coragem, vou pegá-la de jeito. Mas é tarde demais.

Um SP2 branco para junto ao meio-fio, ela abre a porta, atira a mochila no banco de trás e beija na boca o menino ao volante, a atrevida.

Ela teria me ouvido? Tenho certeza que não. Teria, sim, me ignorado, tirando um espelho da inseparável mochila, passando nos lábios mais uma camada de Grape. Ligaria o walkman com a fita do Duran Duran, acenderia mais um Salem mentolado e continuaria acreditando que tinha todo o tempo do mundo a perder.


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