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Saudades

Passo por aqui vez em quando, coração apertado. Meu lar virtual parece hoje um apartamento fechado, com janelas empoeiradas e lençóis a cobrir os móveis. Como proprietária, um pouco desleixada, é verdade, venho, abro um pouco as janelas, recolho a correspondência atirada por debaixo da porta e volto a trancá-lo. Que saibam, então, que completamente abandonada esta morada não está.

Sinto saudades de quando habitava aqui aquela a quem as palavras vinham fácil, dóceis, como um cão que apanha confiante o alimento da mão do dono. Era assim que elas vinham a mim, as palavras. Mas confiança, uma vez perdida, precisa ser de novo conquistada.

Sentimos falta uma da outra, eu e a página em branco. Falta algo e a Vida pede que o vazio seja novamente preenchido. Há muito ainda o que dizer, mesmo que eu teime em afirmar o contrário. Nem sempre a gente pode com a Vida e com aquilo a que ela nos destinou.

Ensaio uma volta, como uma bailarina insegura que calça sapatilhas de ponta depois de tanto tempo. Hesitante, procuro o equilíbrio e a leveza que um dia possuí, os passos ainda incertos. Mas se o corpo não esquece os movimentos também a mente não esquece as idéias, apenas a forma exata de expressá-las.

É muito bom estar aqui novamente.

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Saudades do verão…

summer

Falta poucos dias para esse blog completar um ano. E, há um ano atrás, eu reclamava exatamente da mesma coisa, então repito aqui o que disse na época: eu não passo o inverno comendo fondue ou bebendo vinho, mas simplesmente contando quanto tempo falta para o clima esquentar.

Faço um esforço para entender a fascinação que a maioria dos que conheço têm pela estação do ano que faz você gripar, a qualidade do ar piorar, seus olhos lacrimejarem e sua pele ressecar. Ok, entendo a parte do chocolate quente, da fondue (provavelmente um resquício do instinto ancestral de reunir os nossos ao redor do fogo) e do vinho. Gostoso, aconchegante, concordo. Mas para isso bastaria que durasse dois dias e caísse no fim de semana. O tal do inverno.

Entendo também quem acha roupa de frio mais elegante. Claro que é. Qualquer um fica bonito num sobretudo comprido e preto. Principalmente quem tem 30 quilos a mais.

Enfim, costumamos gostar do que não temos ou não podemos desfrutar. Num país onde – com excessão do sul – a estação mais fria ou dura 2 semanas ou inexiste, é normal que vento gelado e  dias cinzas sejam tão celebrados. Pergunte a respeito à quem vive onde 17 graus é motivo para shorts e churrasco no quintal,  isso quando o verão cai no fim de semana, claro.

Li em algum lugar, para variar não me recordo onde: quanto menos luz entra pelas nossas retinas, menos endorfina, serotonina ou o que o valha, o cérebro produz. Depressão sazonal existe, não é chilique meu. É a ciência que diz.

Finalmente, dia desses, um insight veio me esclarecer de onde vem minha aversão ao que parece ser uma unanimidade. Enfiada num casaco, usado sobre duas camadas de blusas quentes, pescoço enrolado em cachecol e mãos paralisadas por luvas, me senti completamente presa. Amarrada. Meu corpo pediu socorro, soterrado debaixo de tanta lã.

E eu gosto mesmo é de liberdade. De movimentos: camiseta leve, vestidos coloridos, havaianas sem meia, pele respirando ar e calor. De sensações: brisa do mar no rosto, gosto de sal na boca, olhos cheios de azul, do céu ou do mar.

Ontem e anteontem foram dias de quase verão. Vieram para matar as saudades e provar o quanto fico feliz feliz feliz quando o sol brilha e os dias são longos. Mas hoje amanheceu inverno de novo.

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Recebi de presente da Ediouro o livro O Senhor March, para que eu lesse e comentasse aqui no blog. Não conheço a autora, mas a sinopse e a capa já me encantaram.

senhor_march

Está na fila, esperando para ser lido assim que terminar os que já comecei. Enquanto isso, confiram no hotsite da editora. Produção caprichada, parece ótimo: www.osenhormarch.com.br

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