
Nascida em 1888, Katherine Mansfield viveu uma vida breve, turbulenta e triste.
Em 1908, mudou-se de sua Nova Zelândia natal para a Inglaterra e entregou-se à boemia, como era comum aos artistas da época. Em 1911, publicou seu primeiro livro, uma coleção de contos, In a German Pension. Contraiu gonorréia por volta desta época e sofreria com dores de artrite pelo resto da vida. Desencorajada pela falta de sucesso do livro, mandou uma história leve para uma revista chamada Rhythm. A história foi rejeitada pelo editor, John Middleton Murry, que pediu algo mais sombrio. Katherine respondeu com “The Woman at the Store”, uma história de assassinato e doença mental que Murry chamou de “de longe a melhor história mandada à Rhythm.”
Murry visitou Katherine no seu apartamento onde ela lhe serviu chá em tigelas porque não possuía xícaras. Atraída por ele, o convidou a se mudar para o quarto de hóspedes logo após sua publicação e, em seguida, eles começaram seu relacionamento conturbado que incluíu casamento em 1918. Se mudaram diversas vezes e frequentemente viveram separados. Aparentemente ambos não acreditavam em uniões estáveis.
Sua saúde ficou muito debilitada quando contraiu tuberculose em 1917. Foi enquanto combatia essa doença em spas pela Europa afora, sofrendo uma hemorragia séria em 1918, que ela começou a escrever os trabalhos pelos quais seria melhor conhecida.
Katherine sofreu uma hemorragia pulmonar fatal em janeiro de 1923, após subir uma escada correndo para mostrar a Murry quão bem estava.
Sobre ela, Virginia Woolf disse: “A única escrita que eu invejei”.
Katherine Mansfield, esta escritora quase desconhecida dos brasileiros e que jamais publicou um romance, é, na minha humilde e leiga opinião, uma das maiores contistas que já existiu.
Rompendo com as regras tradicionais da escrita, em seus contos a trama é inexiste ou secundária. Prevalece sempre o momento, de simplicidade ingênua ou dramaticidade desconcertante. O poder de suas histórias está na atmosfera, na ambiência, no instante capturado de uma vida e traduzido com vigor e sentimento.
Ela jamais escrevia “sobre”. Mostrava ou sugeria. In a German Pension, por exemplo, ela declara seu desprezo pelos alemães sem usar essa palavra, ou outra parecida, uma única vez. Há apenas um grupo de pessoas reunidas ao redor de um almoço. No entanto, a antipatia, o antagonismo, pairam no ambiente. E assim é, quando ela fala de tristeza, dor, solidão ou contentamento.
Apenas o escritor de imenso talento é capaz de dominar o texto dessa forma . Mostrar sem dizer, sugerir sem contar.
E, assim como Virgínia Woolf, é uma escrita que também invejo.
Este post faz parte da blogagem coletiva Vida de Escritor, promovida por Fio de Ariadne





22 Comments
Muito boa sugestão!
Adoro contos, vou procurar ler algo dela.
Eu vou participar dessa blogagem também. Mas tá difícil!!
Nossa, não conhecia Katherine Mansfield! Ela deve ser uma ótima escritora para que Virginia Woolf diga que foi “A única escrita que eu invejei”…
Depois verei se encontro algo dela dando sopa na internet.
Valeu pela dica.
Beijos
Aninha
Olá Diogo! Se você gosta de contos, vai se apaixonar por Katherine. A editora Cosac Naify publicou uma coletânea dela, numa edição caprichada, de capa dura, e tradução cuidadosa. Dá uma olhada: http://www.cosacnaify.com.br Beijos!
Aninha, Katherine é uma mestra! Tem pouca coisa dela traduzida no Brasil, imagino que por isso ela não seja tão conhecida como Virginia. Mas as duas eram amigas. Katherine também foi a inspiração de DH Lawrence (outro escritor que amo) para o romance Women in Love. A moça andava em boa companhia! rs
Li seu email com todo carinho, e vou respondê-lo mais tarde. Beijos e fica bem!
Oi,Ana Paula.Parabéns pelo texto.Katherine Mansfield foi uma das primeiras grandes autoras que li para valer.E que coincidência,meu post foi sobre Virginia Woolf!Um abraço.
Ana Paula,
Já ouvi falar desse nome porém não imaginava nada sobre essa escritora. Como eu gosto muito de contos, vou procurar mais sobre a autora. Adoro novas descobertas e você me proporcionou mais uma. Ás vezes, as pessoas acham que por eu ser bibliotecária conheça tudo, ledo engano, eu conheço bastante, mas estou sempre aprendendo e descobrindo novos autores, novas obras.
Muito obrigada por essa oportunidade.
Beijos Tempestuosos!
O bom das blogagens coletivas é a gente conhecer blogs de qualidade, com afinidades, como este. Também adoro Katherine Mansfield, seus contos me parecerem de uma delicada sofisticação. E teve alguém que escolheu Virginia Woolf. Abraços!
Se Virginia Woolf diz que era a única escrita que ela invejava, com certeza temos aí uma excelente escritora. Não conhecia Katherine Mansfield, vou procurar saber mais sobre ela.
Adorei o post e o blog. Abraços.
Ana Paula, vc acaba de me fazer confrontar com minha profunda ignorancia. Não conhecia esta escritora. Mas vou dar um jeito nisso , já, já. Seu post já fez a coletiva valer a pena. Muito obrigada por participar.
Abraço
Oi Ana Paula
Nunca ouvi falar nela, com certeza vou procurar seus contos para conhecer. Seu post aguçou a curiosidade de todos que não conheciam essa escritora. Parabéns!!!
Beijos, Marcia
Olá,
que delicia de texto,adorei,sua participação.
Boa semana!
Boas energias
Mari
Ola!
Vim lhe dizer que a postagem já está lá.
Gostei do seu texto estou participando da blogagem coletiva com o meu blog: Uma Interação de amigos, agradece a sua visita.
http://sandrarandrade7.blogspot.com
Este é um momento em que se aprende muito, um com o outro.
Com carinho
Sandra
James, também adoro Virginia! Em comum, ela e KM tiveram vidas tristes, meio trágicas… Será que escritor é tudo doido? rs Coincidência mesmo que tenhamos escolhidos as duas para o coletivo. Abraços!
Letícia, espero que goste da obra dela. =) Beijos!
Janaina, você tem razão, as coletivas são sempre enriquecedoras! Nunca li nada de Raduan Nassar, apesar de ter ouvido falar muito, principalmente por causa do filme Lavoura Arcaica… Obrigada pela dica! ;D Beijos!
Luciano, não deixe de ler. Se você gosta de Virginia, vai adorar KM! Beijos!
Vanessa, imagina! rs Pouca gente conhece KM… Mas vale super a pena conferir a obra dela! =) Beijos!
Olá Márcia! Sim, parece que todos ficaram curiosos! Vale a pena conferir, principalmente se você gosta de contos. Beijos!
Mari, obrigada pelo comentário e pelo carinho! Tudo de bom pra você também! Beijos!
Oi, Sandra! Como você disse no seu post, vida de escritor não é fácil… rs Beijos!
Obrigada pela aula! Adorei!!! Vou procurá-la para ler. Beijos.
Eu confesso que nunca a li em português, mas dá pra entender muito bem porque você a inveja assim como Virginia Wolf. Seus contos nos arrancam de dentro pra fora e nos permitem respirar fundo e ainda assim estar ser ar.
Permita-me ser assim um dia. rs
Beijos
Ps. Sigo eu a navegar