Todos os dia o Facebook me pergunta: no que você está pensando agora?
Pois me preocupa justamente aquilo em que não estou pensando. O que não está em minha cabeça. Tudo o que não estou fazendo.
Mas deveria.
As prioridades andam enfiadas debaixo de pilhas de banalidade, e eu as coloco lá para que possa fingir que nao me preocupo com elas. O que é vital, e deveria merecer toda minha concentração, anda esquecido debaixo do tapete da preguiça.
Eu adio: planos, projetos, começos. Penso em qual filme quero assistir, se tomo um banho agora ou antes de deitar, se como um sanduíche ou tomo uma sopa na hora do lanche. Dou a volta na minha própria mente, distraindo-a com as maiores bobagens, e estou ficando boa nisso. Divago. E, quando a estratégia falha, agarro um livro.
Qualquer coisa para não ter que me concentrar e trabalhar, o que, no meu caso, significa escrever.
E tenho certeza que não vou empurrando com a barriga sozinha. Devo estar na companhia de centenas de outros que juram que amanhã vai.
Se o Facebook tem um pergunta, eu tenho outra: o que não está passando pela sua cabeça? O que anda esquecido, como se não fosse com você? Por que deixamos de fazer o que mais queremos e acabamos convencidos de que há algo a ser feito antes? O que atravessa na frente dos nossos sonhos mais caros?
A verdade é que não podemos com a Vida. Tudo aquilo que procrastinamos, estará nos esperando qualquer dia, ali na esquina. A Vida pega a gente na curva. E a genta acaba descobrindo que, se inventamos de sonhar, criamos junto o compromisso de realizar.




16 Comments
Sabe, acho que esse tipo de sabotagem que fazemos com a gente mesmo é prá ter aquele gostinho de, de vez em quando, resolver tudo o que está pendurado e sentir aquela adorável sensação de liberdade e leveza, por ter resolvido tudo…até o outro dia, quando começamos a amontoar os problemas e empurrá-los com a barriga até o próximo acesso de ‘tem qe ser hoje’.
Pelo menos comigo é sempre assim.
bjkas SUA sumida
Ah! São tantos os medos. medo de dar certo, medo de mudar, medo de ter que parar de reclamar de si mesma, medo de não gostar do que fez, medo de parar de sonhar, pois quando fazemos, esta feito. Da pra ver o que esta feito.
Acho que é o Pessoa que fala que o poema perfeito é aquele que ainda não foi escrito. (não sei se foi Drummond, Cecilia ou Pessoa).
Pode ter certeza que tem milhares de companheiros.
Mari, você achou a palavra perfeita: sabotagem! Porque é isso mesmo que fazemos conosco! =P Mas a sensação de resolver uma “pendência”é muito boa, mesmo! rsrsrs Beijos!
Angela, eu acho que tem muito de medo nessa história, sim! Reclamar da gente mesma é tão mais fácil… Como diz meu irmão, quem quer, arruma um jeito, quem não quer arruma uma desculpa. rs Mas, no meu caso, acho que tem uma dose de preguiça também! rs Beijos!
Sabe, Ana… acho que temos muito em comum. A maior parte do meu tempo (livre) eu passo divagando ou me afundando em um livro. Acho que faz bem pra alma esquecer um pouco de tudo e de todos.
Virei fã de seus textos. :)
Olá Ana Paula
Eu estou com o problema inverso: tenho demasiado trabalho e passo demasiado tempo fazendo coisas que não me fazem feliz, preenchendo papéis, trabalhando em reuniões, aturando meninos que não querem aprender e pais de meninos que acham que a culpa é de toda a gente menos dos meninos. Vejo o tempo passar e o que eu queria fazer vai sendo adiado até àquele momento em que, finalmente, me sento e… adormeço de cansaço.
Bjs
Eita que esse post retrata bem o que sempre faço é verddae adiamos coisas por comodismo.temos que nos perguntar como vc falou em que não esta pensando?
beijos
Ai Ana, pela primeira vez não gostei do teu post =( Não porque esteja mal escrito ou coisa que o valha, mas é que ando fugindo das minhas obrigações como o diabo foge da cruz. E esse post me fez ver/lembrar/pensar o quanto ando irresponsável com as coisas e pessoas que são importantes pra mim. Estou num momento crucial de escolhas que poderão virar meu mundo de cabeça pra baixo. Sabe aquele momento que você anda, anda e anda até chegar no muro, e tem que escolher entre pular o muro – e deixar tudo o que você viveu até aquele momento e recomeçar uma nova vida a partir do teus sonhos de infância, em outras palavras, a partir do zero -, ou seguir o caminho da direita – o mais confortável e seguro, uma vez que você passou quase 10 anos se preparando pra essa vida? Pois bem, estou nesse momento e ainda não cheguei a nenhuma conclusão… Sentei ao pé do muro e parei para assistir a vida passar… E isso ta me angustiando horrores… Ando meio jururu, mas também não posso tomar essas decisões de uma hora pra outra… Por isso ando protelando tudo!
Mais foi bom saber que não ando só nesse mundo.. rs
Beijos
Aninha
Nathalie, te confesso que, se pudesse, meu tempo livre seria todo passado mergulhada em livros e filmes! rs Mas eu tenho um sonhozinho que queria ver realizado! =) Beijos!
Tereza, isso é muito sério… Não sei o que é pior: nunca ter tempo pra si ou tê-lo e não saber aproveitá-lo. Mas olha… se a coisa está como você descreve, é hora de pensar em mudanças. Por que um dia a saúde cobra, acredite. Beijos, e torço para que bons ventos te tragam mudanças! =)
Clara, eu tenho pensado muito nisso… tenho um sonho que queria ver realizado, mas vou empurrando pro dia seguinte e vejo que, dessa forma, não acontecerá nunca! Tenho que pensar numa forma de mudar isso… =( Beijos!
Aninha, te entendo demais, ô se entendo! Passei por isso mais de uma vez, amiga, e, sim, é muito difícil. Talvez tomar grandes decisões seja a coisa mais estressante da vida. Assim como você, também me sinto paralizada diante delas. Mas dúvida nunca é momento de decisão. Converse com você mesma, coloque no papel os prós e os contras de cada um dos caminhos possíveis. Pode ser que te ajude a escolher o melhor pra você. Quanto à segurança e conforto… nem sempre nos fazem felizes. Te desejo sorte nessa escolha e, se quiser trocar uma idéia, me escreva por email. Beijos, querida!
Mandarei o e-mail. Vou só organizar as idéias para que você não ache que sou uma “louca” perigosa… rs
Beijos.
Aninha
Ana
Tem um selinho para voce no meu blog.
beijos
A verdade é que no momento não penso, apenas sinto, olho lá pra fora e vejo a grama verde em plena primavera e eu desejo o outono. Olho a jabuticabeira e sinto seus cheiros, seus sabores. O cão dormindo no sofá, encolhido graças ao frio que se abateu por aqui e eu sinto saudades de mim mesma. Não, eu não penso agora, eu apenas existo e quero abraçar todas as sensações…
Pensar agora, não. Obrigada!!! rs
Lunna, você consegue algo que eu almejo e geralmente não alcanço: estar completamente mergulhada no presente. Também queria apenas sentir. Mas penso demais, me espalho por passado e futuro… Beijos!