Ela está nas capas de Veja, Exame, Isto É. Nunca se falou tanto e tão bem dela. Rodas de amigos das mais variadas profissões trocam idéias sobre ela e alguns ensaiam um namoro. Sim, estou falando da Bovespa.
Fique Rico com a Bolsa, Fique Rico Operando Opções, Fique Rico com o Mercado Financeiro. Confesse, você já cogitou comprar um livro com um título do tipo. E desistiu, afinal “bolsa é arriscado”, “bolsa é cassino”, “fulano perdeu tudo na bolsa”.
Ontem a Bovespa viveu um dia histórico de queda. As promessas de riqueza a jato, dinheiro fácil e zero esforço de alguns meses atrás não se concretizaram. Tenho certeza que muita gente abandonou – para sempre – o barco.
Essa é a terceira – e de longe a maior – grande queda que presenciei deste que comecei a “mexer com bolsa”. E gostaria de partilhar com vocês o que essa experiência me ensinou. Não, não vou falar de investimentos ou finanças.
A Bolsa de Valores é um investimento arriscado. A Vida também é. E nós gostamos de estabilidade, certo? Afetiva, profissional e financeira. Não gostamos de levar sustos. Mas pense num paciente numa UTI, ligado a um monitor cardíaco. O que acontece quando soa aquele apito longo e a linha do monitor fica retinha? Nós sabemos o que acontece.
Se você não corre riscos terá bastante estabilidade. Sim, desse tipo que mencionei aí em cima. Para ganhar é preciso arriscar alguma coisa na Bolsa da Vida. Siga as mesmas regras do mercado financeiro: não aposte o que não pode perder, se o barco estiver afundando não reze, abandone-o, não tenha a goela grande e saiba a hora de assumir o prejuízo. Prejuízo? Claro, é impossível ganhar sempre.
Aposte no longo prazo. Se você perdeu hoje, pode ter uma surpresa amanhã. Se está ganhando agora, saiba que um dia a maré muda e o gráfico de tendências aponta para baixo. Quando acontecer, espere. Pare, pense, se posicione. O importante é que, entre perdas e ganhos, o balanço do aprendizado feche positivo.
Tenha uma estratégia mas não morra agarrado à ela. Se errar é humano, permanecer no erro é burrice. Perdeu, dançou, tomou? Então alguma coisa que você fez não funcionou. Lembre-se que a culpa nunca é do mercado – ou da vida – mas sua, mesmo. Você pode – e tem que – mudar sempre. Se o mercado se recupera sozinho, a sua vida, não. Há que se fazer um mínimo de esforço em causa própria. A felicidade não vai cair na cabeça de ninguém.
E acima de tudo, pratique stop-loss. No jargão financeiro, stop-loss é o termo usado para definir até onde você quer – ou aguenta – perder. Você mesmo o define: até aqui eu vou, daqui não passo. Conheça seus limites e deixe bem claro a todos que você os tem. Isso vale principalmente para relacionamentos. De amizade, profissionais, familiares e, claro, os amorosos. Quem não pratica stop-loss – leia-se quem não se proteje, não impõe seus limites ou não enxerga a hora de sair- corre o risco de perder muito. Ou tudo.
Por fim, para não se arruinar na Bolsa, a regra número zero é: não seja ganancioso. Porém, como estamos falando da Vida, quebre essa regra com vontade todos os dias. Pense alto, sonhe muito, faça planos. Arrisque sempre. Cobice amor, saúde, felicidade, plenitude. Se o seu coração deseja é porque você merece.
E não saia cedo demais. Em tempos de grandes crises, os que se desesperam e jogam a toalha dificilmente voltam. Quem fica ganha a oportunidade da realização do lucro futuro. Na Bolsa, assim como na Vida, desistir é para sempre.
Ah, você prefere estabilidade?
Piiiiiiiiiiiiii……….




